29 abril, 2013
31 março, 2013
Adaga
Novo corpo para
o ventre da terra
É novo amor
a vestir pele velha
Novo sorriso
para boca banguela
Novo sentido
e nenhuma ideia.
Ira velha em
abraço de ócio.
Velhos ardis
não tecem nervos expostos.
Velhos
beijos sabor de novo ódio
É nó recente
atando enforcado em corda
Prisão velha agasalhando novos códigos
Novas línguas
vertendo veneno precoce.
Sonhos
velhos pesadelos de agora.
De novo o
velho envelhece e finge que morre.
(Pedro Cruz)
18 setembro, 2012
16 setembro, 2012
Doze exatos nem
a mais
Neste ameno dia.
Centímetro bordas irregulares,
Coriáceas reentrâncias.
Relógio
Sequência de dígitos.
- Quanto
tempo de vida?
Morfina e broche de ouro
Jóia comida nas bordas.
Bela terrível sentença
Sentir na tez da diagnose.
Neste ameno dia.
Centímetro bordas irregulares,
Coriáceas reentrâncias.
Bomba
radioativa de
Cabeça raspada.
Hoje doze
centímetros.
Meio-dia,
meia-noite,Relógio
Sequência de dígitos.
- Quantas
horas de sono?
Doze regras
para sobrevivência:
Dose, rádio,
quimio, amputar, ampulheta.Morfina e broche de ouro
Jóia comida nas bordas.
Bela terrível sentença
Sentir na tez da diagnose.
(P. Cruz)
08 setembro, 2012
Cabelo de Medusa,
Espada de Perseu,
Cabeça de cão, fé, honra,
Escudo de dragão.
Ferro, ferro, ferro.
Ira aguda, ira, ira.
Paus no mar,
Cabeça na proa,
Proa na onda.
Cabelos de sal
Cobras mortas.
Talhe ilegítimo,
Inútil istmo, ânimo
Angustioso, longo
Litoral de mau augúrio.
Olhos insepultos.
Fogueira úmida de ritos,
Mar em fogo e sangue.
Ladra no silêncio.
O cão do ínfero
Com boca na noite infame.
De vela inflada de ódio.
Dia, rotundo dia.
Cabelos de sal negro
Régio,
Na proa no escuro,
No cedro pau ferro.
Fio gume, fúria.
Em Ur é dia.
Cá a noite é
Escuro túmulo
Do Deus cabeça de sal,
Olhos insepultos
Acesos no breu.
(P. Cruz)
Espada de Perseu,
Cabeça de cão, fé, honra,
Escudo de dragão.
Ferrão dos deuses,
Aguilhão,Ferro, ferro, ferro.
Ira aguda, ira, ira.
Paus no mar,
Cabeça na proa,
Proa na onda.
Cabelos de sal
Cobras mortas.
Tosa.
Talhe ilegítimo,
Inútil istmo, ânimo
Angustioso, longo
Litoral de mau augúrio.
Olhos insepultos.
Fogueira úmida de ritos,
Mar em fogo e sangue.
Mar de olhos insepultos
Vaga órbita orbitaLadra no silêncio.
O cão do ínfero
Com boca na noite infame.
O que voa na
Peçonha do escuro é vooDe vela inflada de ódio.
Dia, rotundo dia.
Medusa, o meu rei
É posta de carne,Cabelos de sal negro
Régio,
Na proa no escuro,
No cedro pau ferro.
Fio gume, fúria.
Em Ur é dia.
Cá a noite é
Escuro túmulo
Do Deus cabeça de sal,
Olhos insepultos
Acesos no breu.
03 setembro, 2012
Na noite o silêncio é quieto
Como o verso da sílaba,
O reverso da matilha.
Veneno é palavra.
Semente da ira.
Logo, vem ódio e muro,
Estrelas, casulo,
Desterros, exílio,
Fugas, urro.
Lua gume
Sentença afiada de fúria.
Vai despertar farrapos de corpos,
Cinzas nas roupas,
E sob as unhas
Fome e choro no escuro.
Como o verso da sílaba,
O reverso da matilha.
A raça, às vezes, é gueto,
Raiva, comida de vento,Veneno é palavra.
O começo feito
Arco da lira,Semente da ira.
Logo, vem ódio e muro,
Estrelas, casulo,
Desterros, exílio,
Fugas, urro.
A noite, no campo,
É de gemidos esparsos,Lua gume
Sentença afiada de fúria.
- Não fale alto
Vai acordar os mortos,Vai despertar farrapos de corpos,
Cinzas nas roupas,
E sob as unhas
Fome e choro no escuro.
(P. Cruz)
31 agosto, 2012
Acinonyx jubatus
Meu
filho fez
A
pose
Do
Usain Bolt.
Dormindo
estava.
Nenhuma
estrela
No
céu cerrado
De
aviões
Sem
terra à vista.
Meu
filho perdeu as
luvas no frio
E
arranhou a
noite dos gatos
Em
luta por espaço.
Soprava
Vento
oco,
Som
Som
De
vidro e aço.
Lá
vem o Usain guepardo
E
meu filho
Dorme
enfim o sono mágico.
(P.
Cruz)
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